quinze anos, à guisa de falar sobre gente

No início era o verbo, já naquela época sem verba, e o verbo tava dentro de uma sentença bem cristalina: tomar cerveja e ver filme juntos. Depois a coisa foi tomando forma conforme a vida ia seguindo nos primeiros anos do milênio e com a popularização do digital ainda como um vislumbre no horizonte.

E aí os encontros foram crescendo, mais vontade de exibir filmes, que depois vira vontade de fazer filme, que acentua o desejo de falar de filme, que puxa as experiências de “ensinar” a fazer filme, olha que coisa, que depois vira um jeito próprio de tomar cerveja e fazer filme juntos… Cíclico.

E aí são mil histórias de amizade, porradaria interna, realizações, sacadas, estrada, porradas e recorrentes incômodos e questionamentos.

Muitas noites de energia intensa, ou como diz nossa amiga Giordana, o “túnel da euforia”. Festas e manifestos.

E conquistas, algumas que parecem pomposas e outras que parecem bobas se olhadas na superfície – mas todas de grande curtição. Mil coisas que pareciam impensáveis como exibir no Circo Voador, no Odeon, ter trampado com ídolos, ter fumado uns com ídolos, ter feito um programa impresso com o Escracho do Regaço, ter por três vezes dado um rolê representado pelas Oropa, ter trabalhado em mais da metade dos 92 municípios do Rio, de ter trocado energias e metodologias pela Amazônia, varar botequins pela Baixada, conversar com a molecada caxiense, dar pinta nos eventos vibrantes da galera parceira da Baixada, amor e cumplicidades, ter conquistado respeito e amizade de muita gente querida da zona zul, zona norte e zona oeste do Rio. De ter levado o nome da Baixada pra mídia impressa, falada e televisada. Ter feito muita gente se conhecer, muita gente casar, descasar, casar de novo, se assumir. Ter conquistado um lugarzinho de fala nesse arranjo político-cultural onde as vozes que aparecem e são ouvidas quase sempre dos mesmos atores e seus sobrenomes e CEPs.

Nesse quinze anos ajudamos a nascer um monte de cineclube e vimos surgir muitas dezenas de filmes em mais de cem oficinas em vários cantos do país.

Nesses quinzes anos também também ajudamos a mais de duas dezenas de teses, dissertações e trabalhos acadêmicos sobre uma gama variada de temas e pontos de vista, trocando saberes, apresentando gente, fazendo pontes, firmando uma rede bacanuda no universo das universidades.

Em 2004 criamos nosso fórum interno de comunicação, via e-mail, que atende pelo carinhoso apelido de mca e que por lá já passaram quase cem pessoas. Antes das possibilidades de grupos via google, zap e facebook. Muita história, muita indicação de referências, muitos barracos, muita vida subida e espelhada pelo mundo virtual.

E gente gente gente.

Os nomes das pessoas da rede de parceiros e colaboradores nesse tempo todo é impossível enumerar… É realmente muita gente que em vários momentos ajudaram e ajudam a gente a prosseguir. Um sentimento de gratidão master.

E pra quem já passou pelo grupo em algum momento, o sentimento é o mesmo. Gente que tá desde o início, gente que entrou no meio do caminho, gente que saiu chateada, gente que saiu por não segurar a onda doida de um grupo assim, gente que não volta mais, gente que ainda vai voltar, gente que optou por ser apenas parceira, gente que diz que não é mas tá sempre ponta-firme, gente que a gente vai trombar muito ainda nessa existência.

Encerrando nessa quarta-feira um momento muito especial que foi essa semana do Festival Mate Com Angu de Cinema Popular – com alegria e tesão. E aproveitamos pra andar um abraço a geral e, independente de padre miguel, vai um afago a todo mundo que já passou por esse bando em algum momento.

 

Amenduim

André Oliveira

André Prestor

Anne Santos

Arthur Waite

Bender Arruda

Bia Pimenta

Buzina Sisto

Cacau Amaral

Carlos D

Carolina Helena

DMC

Elias Maia

Fabi Albuquerque

Fabíola Trinca

Flávio Maravilha

Fernanda

Gabraz Sanna

Geo Abreu

Giovana Moraes

Glauber Silva

Heraldo HB

Igor Barradas

Isis Perdigão

João Mancha

Josinaldo Medeiros

Karol Costa

Kelly Muniz

Luisa Godoy Pitanga

Manoel Mathias

Manu Coimbra

Márcio Bertoni

Rafael Mazza

Pablo Souza

Pablo Cunha

Paulinho Mainhard

Priscilla Alves

Raoni Redni

Rodrigo Cavalcanti

Rodrigo Uchoa

Sabrina Bitencourt

Samitri Bará

Sassá Souza

Slow DaBF

Thiago Venturotti

Tadeu Lima

João Xavi

 

 


Sobre matecomangu

Cineclubismo na veia, desde 2002 agitando o imaginário de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, mundo. Produção Cultural autônoma, guerrilha estética urbana, TAZ.
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