{"id":287,"date":"2017-05-23T16:11:59","date_gmt":"2017-05-23T19:11:59","guid":{"rendered":"http:\/\/matecomangu.org\/festival2017\/?p=287"},"modified":"2017-05-23T19:23:34","modified_gmt":"2017-05-23T22:23:34","slug":"um-toque-sobre-escola-livre-de-cinema-de-nova-iguacu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/matecomangu.org\/festival2017\/um-toque-sobre-escola-livre-de-cinema-de-nova-iguacu\/","title":{"rendered":"Um toque sobre Escola Livre de Cinema de Nova Igua\u00e7u"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o faz muito tempo que escrevi um texto no Nexo Jornal, de S\u00e3o Paulo, sobre cinema e as circula\u00e7\u00f5es dos nossos filmes nos festivais de cinema dentro e fora do Brasil. Nos festivais e tamb\u00e9m em diversos outros espa\u00e7os que fomos capazes de inventar para beber cerveja, ouvir poesia, encontrar o nosso pessoal e ver filmes. Existiu um per\u00edodo no nosso pa\u00eds em que as exce\u00e7\u00f5es passaram a serem vistas como protagonistas das pol\u00edticas p\u00fablicas em diversos setores, principalmente no campo cultural. Daria um belo filme imaginar que na mesma \u00e9poca em que chegava a internet (discada) no bairro da Vila Igua\u00e7uana, em Nova Igua\u00e7u, tamb\u00e9m se inaugurava a Escola Livre de Cinema de Nova Igua\u00e7u em um bairro pr\u00f3ximo aben\u00e7oado pelo terreiro da M\u00e3e Beata de Iemanj\u00e1, em Miguel Couto.<\/p>\n<p>Foi aquele pr\u00e9dio vermelho com rodas de bicicleta na fachada que me salvou. Papo reto, sem sentido cat\u00f3lico apost\u00f3lico romano: essa escola me salvou. Foi na ELC que entendi que eu poderia subverter o que me levava para um s\u00f3 caminho, a de ser empregada dom\u00e9stica ou, no m\u00e1ximo, gerente de supermercado do meu bairro, profiss\u00e3o essas que marcaram gera\u00e7\u00f5es e gera\u00e7\u00f5es de mulheres negras que me antecederam. Aqui, todo o meu respeito e admira\u00e7\u00e3o por essas guerreiras que desempenham essas profiss\u00f5es, mas chamo aten\u00e7\u00e3o para a problem\u00e1tica de ter apenas esse caminho como possibilidade quando deveria ser comum vislumbrar esses e outros caminhos tamb\u00e9m. E foi isso que a Escola me trouxe: essa loucura de disputar narrativa e criar outros imagin\u00e1rios com essa ferramenta poderosa que \u00e9 o cinema e o audiovisual em geral.<\/p>\n<p>Eu nunca tinha ido ao centro da cidade do Rio de Janeiro, mas j\u00e1 tinha cruzado continentes nas aulas de roteiro com o Raul Fernando. Foi na ELC que vi uma possibilidade existir dentro das minhas vontades criativas, abriu n\u00e3o s\u00f3 um novo espa\u00e7o que devolveu o direito de sonhar, mas transformou meu olhar sobre a cidade de Nova Igua\u00e7u, a mim, como pessoa, e me apresentou o c\u00e9u como limite.<\/p>\n<p>Essa Escola, por quest\u00f5es financeiras, fechou, no ano passado, as portas para centenas de estudantes e futuros cineastas. Um ato como esse deveria ser tratado como inconstitucional. Apesar disso, para mim, a Escola e a situa\u00e7\u00e3o em que ela se encontra, \u00e9 como uma passagem dita pelo m\u00fasico e compositor baiano, Mateus Aleluia, numa entrevista para a R\u00e1dio Roquete Pinto no in\u00edcio desse ano: \u201ca raz\u00e3o vai se impor, acredite. A raz\u00e3o vai se impor. De vez em quando a raiz se cansa de ficar somente na terra. Ela sai e vem cobrar o seu tributo. Ent\u00e3o as pessoas t\u00eam que acreditar que a raiz \u00e9 que d\u00e1 o caule, o caule \u00e9 que d\u00e1 os galhos e os galhos \u00e9 que d\u00e3o as folhas e da\u00ed vem os frutos e depois os frutos amadurecem, caem. E de dentro do fruto ca\u00eddo apodrece e saem aquelas sementes ali dentro, \u00e9 absorvida por toda aquela terra porque a chuva vem e cria aquela lama, vem a am\u00e1lgama da vida traduzida naquela terra toda misturada. E daquelas sementinhas nascem novas \u00e1rvores porque daquelas sementinhas todas brotam novas ra\u00edzes, de maneira que ningu\u00e9m vai conseguir parar o que a natureza terminou porque a natureza tem leis. O homem \u00e9 que tem moral e designa\u00e7\u00f5es. \u201c<br \/>\n<strong>Yasmin Thayn\u00e1<br \/>\n<\/strong><em><a href=\"http:\/\/www.huffpostbrasil.com\/bloggers\/yasmin-thayna\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.huffpostbrasil.com\/bloggers\/yasmin-thayna\/<\/a><\/em><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o faz muito tempo que escrevi um texto no Nexo Jornal, de S\u00e3o Paulo, sobre cinema e as circula\u00e7\u00f5es dos nossos filmes nos festivais de cinema dentro e fora do Brasil. 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