{"id":1039,"date":"2013-04-09T03:08:23","date_gmt":"2013-04-09T03:08:23","guid":{"rendered":"http:\/\/matecomangu.org\/site\/?p=1039"},"modified":"2013-06-29T18:57:51","modified_gmt":"2013-06-29T18:57:51","slug":"cineclubes-da-baixada-uni-vos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/cineclubes-da-baixada-uni-vos\/","title":{"rendered":"Cineclubes da Baixada, Uni-vos!"},"content":{"rendered":"<p>[ texto encomendado para o Jornal Extra e publicado na edi\u00e7\u00e3o desse dia 09\/04\/13. Aqui abaixo a vers\u00e3o na \u00edntegra \ud83d\ude09 ]<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1041\" alt=\"Igor Barradas - Mate Com Angu\" src=\"http:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-content\/uploads\/barradas-no-extra.jpg\" width=\"440\" height=\"587\" srcset=\"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-content\/uploads\/barradas-no-extra.jpg 440w, https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-content\/uploads\/barradas-no-extra-224x300.jpg 224w\" sizes=\"auto, (max-width: 440px) 100vw, 440px\" \/><\/p>\n<h2><strong>Cineclubes da Baixada, Uni-vos!<\/strong><\/h2>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\">Com vinte e poucos anos, sem nada pra fazer gra\u00e7as \u00e0 minha capacidade po\u00e9tica de convencer minha m\u00e3e de que meu futuro seria grandioso como artista, gastava tempo dormindo, subindo o Morro da Caixa D\u2019\u00e1gua para admirar o visual ou gastando onda no <\/span><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>msn\u00a0<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\">nas madrugas com pensadores navegantes de uma internet que acabava de chegar aos lares da Baixada. E esses papos tamb\u00e9m reverberavam pelos eventos culturais artesanais que vibravam no tocar dos viol\u00f5es e vozes cantando musicas autorais, hist\u00f3rias da tribo, cantos sagrados, terra de encantados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\">E vivendo a juventude, v\u00edamos a onda digital se agigantando, <\/span><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>caraca, agora podemos fazer um filme com essas c\u00e2meras digitais<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\">. Sab\u00edamos que a cada dia seria mais barato jogar uma ideia na tela. Uma hist\u00f3ria \u00edntima, pr\u00f3xima, poder se ver! At\u00e9 ent\u00e3o pra se fazer cinema era preciso ser rico ou sortudo e talentoso. Era uma quebra de paradigma t\u00e3o grande, emanava uma onda t\u00e3o boa, que sab\u00edamos que est\u00e1vamos vivendo os melhores anos de nossas vidas. Pura magia, como um filme do Truffaut ao som de Cartola. Era o in\u00edcio do mil\u00eanio&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\">E pensando que n\u00e3o eramos os \u00fanicos a estar percebendo o momento, os \u00fanicos a ter sede louca de produzir imagens, n\u00e3o eramos os \u00fanicos a sacar que agora, mais do que nunca, a ideia ia imperar. Uma menina no interior do Mato Grosso ia fazer um filme em Hi-8 e arrombar os sal\u00f5es dos festivais mais importantes do mundo. <\/span><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Uma c\u00e2mera na m\u00e3o, uma id\u00e9ia na cabe\u00e7a, <\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\">brad\u00e1vamos b\u00eabados como bandeira nas ruas des\u00e9rticas de Jardim Primavera.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\">E sob esse levante decidimos montar um cineclube, o Mate Com Angu. Quer\u00edamos juntar gente que quisesse, assim como o Pink e o C\u00e9rebro, dominar o mundo. Juntar gente pra fazer coisas juntas, seja fazer amor, um filme, uma banda, um zine, uma pe\u00e7a, qualquer coisa que alimentasse o desejo pela criatividade, pela inquieta\u00e7\u00e3o, pelo tes\u00e3o de levantar o astral da Baixada. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\">Ok, sab\u00edamos que o mundo estava na onda digital, mas n\u00e3o conhec\u00edamos ningu\u00e9m que estivesse fazendo um cineclube. Neste ponto ach\u00e1vamos que est\u00e1vamos sendo revolucion\u00e1rios em digitalizar o projetor 16mm. Como \u00e9ramos bobinhos! Demorou meses e logo surge numa nota em um suplemento especial Baixada o cineclube Videoverso (de Mesquita) . Depois recebi um flyer do Cacha\u00e7a Cinema Clube (no Odeon, Centro do Rio). Pronto, uma onda cineclubista invadiu o Brasil no primeiro ano Lula, era 2003. N\u00e3o est\u00e1vamos s\u00f3s, e com humildade, percebemos que o cineclubismo \u00e9 uma malha de afinidades, uma rede cheia de hist\u00f3ria, cheia de for\u00e7a, que faz 100 anos neste ano de 2013. Faz\u00edamos parte de algo que n\u00e3o conhec\u00edamos. O cineclubismo: ver, pensar e produzir filmes e textos, propor caminhos para o cinema e para o Brasil, de forma coletiva, participativa, colaborativa, horizontal e fraterna. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\">E tudo isso tem muito a ver com a Baixada. A tecnologia do mutir\u00e3o, da cervejinha para virar uma laje, casam harmonicamente com o fazer cinematogr\u00e1fico, que tamb\u00e9m \u00e9 coletivo. A Baixada \u00e9 Fam\u00edlia, \u00e9 amizade. E dessa forma ela vem produzindo seus cineclubes. Como n\u00e3o se emocionar com o Cine Poeira, de S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti, que seguiu firme com suas proje\u00e7\u00f5es em 16mm num boteco, exibindo filmes achados no mundo das coisas perdidas; como n\u00e3o bater cabe\u00e7a com o experimentalismo do Buraco do Get\u00falio, de Nova Igua\u00e7u, que ao comemorar seu anivers\u00e1rio, faz uma sess\u00e3o sem filmes, com a banda Sofia Pop tocando alto, fazendo do momento, um filme. Em Mesquita, um professor, um compositor de nome S\u00e9rgio Fonseca, levou at\u00e9 pouco tempo o VideoVerso. Lembro somente de seus \u00f3culos, rodeado de fitas vhs, nas fotos de jornal. N\u00e3o cheguei a ir l\u00e1, ou conhecer o S\u00e9rgio, mas sinto saudades. Com um carro, um projetor, uma caixa de som, o Cine Ataque mexeu com o quotidiano de pra\u00e7as, ruas, bares. Projetavam nos espa\u00e7os p\u00fablicos. Iluminando a vida de quem estava ali. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\">Agora, me expliquem uma coisa, caros leitores, por que estes grupos fazem o que fazem? N\u00e3o ganham dinheiro com isso e n\u00e3o se candidatam nem a s\u00edndico de pr\u00e9dio&#8230; Praticar o cineclubismo \u00e9 um gesto anal\u00f3gico, quase anacr\u00f4nico. Hoje voc\u00ea n\u00e3o precisa sair de casa pra ver um filme, muitas tvs est\u00e3o at\u00e9 melhor que os projetores, a internet \u00e9 um mar infinito de informa\u00e7\u00e3o. Que filme voc\u00ea quer? L\u00e1 estar\u00e1. Ent\u00e3o porque montar uma sess\u00e3o de filmes com equipamentos prec\u00e1rios? Perder tempo dobrando os programas, pensando como converter os arquivos de v\u00eddeo, juntando dinheiro pra comprar um projetor melhor? N\u00e3o h\u00e1 nenhuma l\u00f3gica. Porqu\u00ea?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\">Tenho um palpite. \ud83d\ude09<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\">Por que ver um filme juntinho \u00e9 mais gostoso. As cidades t\u00eam sede de espa\u00e7os de conviv\u00eancia. As pessoas querem se encontrar, trocar id\u00e9ias, ver um filme. Coisa simples. Assim como a pra\u00e7a da cidade do interior. Paz. Ser um espa\u00e7o onde as pessoas possam ser o que elas desejam ser, por algumas horas, criando uma zona po\u00e9tica e fabular, na Baixada cinza-neon com suas tristezas e viol\u00eancias, talvez seja a maior contribui\u00e7\u00e3o dos cineclubes \u00e0 regi\u00e3o. Produ\u00e7\u00e3o de paz e amor em vibra\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica. Faz bem, sem contra-indica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\">N\u00e3o queria deixar de citar o Cine Mofo (Caxias), o Marapicu (Queimados), o Cine Rock e o Donana (Belford Roxo) e o Cinema de Guerrilha da Baixada (SJM). Grupos que andam atuando com vibra\u00e7\u00e3o. E a duas experi\u00eancias fortes no Audiovisual da regi\u00e3o nos anos 70\/80: O Cineclube Baixada, que exibiu muito filme bom. E a TV Maxambomba, que registrou, de maneira moderna, o olhar do morador da Baixada sobre sua pr\u00f3pria regi\u00e3o. Dois movimentos bonitos e que nos inspiram at\u00e9 hoje.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\">Vida longa ao Cineclubismo!!!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial;\">Abril \u00e9 o m\u00eas da cultura na Baixada.<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: medium;\">Igor Barradas<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[ texto encomendado para o Jornal Extra e publicado na edi\u00e7\u00e3o desse dia 09\/04\/13. Aqui abaixo a vers\u00e3o na \u00edntegra \ud83d\ude09 ] Cineclubes da Baixada, Uni-vos! Com vinte e poucos anos, sem nada pra fazer gra\u00e7as \u00e0 minha capacidade po\u00e9tica de convencer minha m\u00e3e de que meu futuro seria grandioso\u2026 <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/matecomangu.org\/site\/cineclubes-da-baixada-uni-vos\/\">Ler o post inteiro<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1041,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20,21],"tags":[5,42,40,6,41,9],"class_list":["post-1039","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-clipping","category-opiniao","tag-baixada-fluminense","tag-buraco-do-getulio","tag-cineclubes-da-baixada","tag-cineclubismo","tag-igor-barradas","tag-mate-com-angu"],"views":2567,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1039","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1039"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1039\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1141,"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1039\/revisions\/1141"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1041"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1039"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1039"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1039"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}