{"id":1704,"date":"2008-09-24T00:24:57","date_gmt":"2008-09-24T00:24:57","guid":{"rendered":"http:\/\/matecomangu.org\/site\/?p=1704"},"modified":"2025-11-25T00:00:43","modified_gmt":"2025-11-25T00:00:43","slug":"texto-da-sessao-baixada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/texto-da-sessao-baixada\/","title":{"rendered":"TEXTO DA SESS\u00c3O BAIXADA"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 seis anos que o Mate Com Angu vem martelando uma frase muito reveladora: a Baixada Fluminense \u00e9 cinematogr\u00e1fica por excel\u00eancia. No sentido mais amplo da express\u00e3o esse vasto peda\u00e7o de terra traz todo um caldo de cultura enriquecido \u00e0 base de ferro e fogo que provoca um impressionante efeito m\u00edtico-est\u00e9tico-audiovisual.<\/p>\n<p>Como uma esp\u00e9cie de 3&#215;4 do pa\u00eds, a Baixada revela o Brasil em miniatura. Uma enorme riqueza natural, um povo formado por gente de v\u00e1rios cantos do pa\u00eds e do mundo, uma riqueza econ\u00f4mica morando ao lado da mis\u00e9ria material, uma elite que ganha dinheiro aqui e mora fora, umas das maiores concentra\u00e7\u00f5es de renda do pa\u00eds. E uma criatividade que \u00e9 meio inexplic\u00e1vel sem recorrer a alguma dessas teorias loucas como a Est\u00e9tica da Fome, do Glauber. A beleza vertendo da adversidade.<\/p>\n<p>Uma terra surpreendente.<\/p>\n<p>A capoeira mais famosa do mundo \u00e9 a de Caxias e a Baixada tem mais terreiros do que a Bahia toda. E a pol\u00edtica sempre foi acompanhada de perto pelo uso da p\u00f3lvora, faroestes caboclos \u00e0 vera. Desde o tempo de Ten\u00f3rio Cavalcanti e Get\u00falio de Moura, quando curiosamente o trabalhismo e o Partido Comunista sempre foram fortes e onde depois o brizolismo p\u00f3s-ditadura cresceu como fermento nas massas. Ali\u00e1s, fermento nas massas lembra as CEBs na Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, que aqui foram refer\u00eancia no pa\u00eds. E d\u00e1-lhe Dom Adriano Hip\u00f3lito. E Jo\u00e3ozinho da Gom\u00e9ia. E Solano Trindade, que viveu um bom tempo aqui. E Sylvio Monteiro. E Armanda \u00c1lvaro Alberto e a impressionante hist\u00f3- ria da Escola Regional de Meriti. Ufa.<\/p>\n<p>E as hist\u00f3rias apagadas aos poucos est\u00e3o vindo \u00e0 tona. A incr\u00edvel hist\u00f3ria do samba; s\u00f3 perguntar a quem sabe. Nei Lopes e Bezerra da Silva conhecem onde a coruja dorme, e deve ser ali por Mesquita. Sem falar do Donana semeando um reggae brasileiro no ouvido do pa\u00eds, direto de Belford Roxo, cidade que foi \u201celeita\u201d em 1990 a mais violenta do mundo&#8230;<\/p>\n<p>Da \u00e9poca dos laranjais aos lotes, a Baixada sempre foi Cinema, mesmo sem ser filmada, e sempre foi M\u00fasica, mesmo quando n\u00e3o gravada.<\/p>\n<p>Vida que segue. E o trem como serpentes de a\u00e7o devorando as vidas espremidas em seu interior.<\/p>\n<p>Miscigena\u00e7\u00e3o, f\u00e9, desola\u00e7\u00e3o. Esse povo da Baixada&#8230; Como dizia o funk cl\u00e1ssico: Baixada cruel, os sinistros s\u00e3o de Bel.<\/p>\n<p>Mesmo com suas singularidades, h\u00e1 uma certa identidade que permeia a Baixada e que tem a ver com a constru\u00e7\u00e3o da cultura, com a presen\u00e7a do trem e suas esta\u00e7\u00f5es, com o jeito ponta de faca com que se cresce aqui.<\/p>\n<p>H\u00e1 um atavismo e ao mesmo tempo um di\u00e1logo com a contemporaneidade que vai al\u00e9m das teorias sem sangue nas veias. \u00c9 o imagin\u00e1rio perif\u00e9rico provocando mentes, colocando tradi\u00e7\u00e3o e modernidade pra sambarem juntas e misturadas. Como o bolo doido criativo e suingado presente na obra do rapper Jo\u00e3o Xavi, cria internacional de S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti. Como se houvesse uma malandragem espec\u00edfica, nascida da viv\u00eancia com a crueza e com um certo nonsense ao encarar a vida nas cidades a partir de v\u00e1rios pontos de vista, que n\u00e3o s\u00f3 o da Zona Sul carioca. Uma certa humanidade mediadora, talvez.<\/p>\n<p>E o trem, a poeira, as matas, os \u00f4nibus apinhados, as igrejas, as cachoeiras, os morros, as cenas, as imagens de for\u00e7a e desilus\u00e3o \u2014 ou um deleite para dire\u00e7\u00e3o de fotografia?<\/p>\n<p>[<em>Setembro de 2008<\/em>]<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-content\/uploads\/sessao-baixada.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1707\" src=\"http:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-content\/uploads\/sessao-baixada.jpg\" alt=\"sess\u00e3o baixada\" width=\"517\" height=\"731\" srcset=\"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-content\/uploads\/sessao-baixada.jpg 517w, https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-content\/uploads\/sessao-baixada-212x300.jpg 212w, https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-content\/uploads\/sessao-baixada-106x150.jpg 106w\" sizes=\"auto, (max-width: 517px) 100vw, 517px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 seis anos que o Mate Com Angu vem martelando uma frase muito reveladora: a Baixada Fluminense \u00e9 cinematogr\u00e1fica por excel\u00eancia. No sentido mais amplo da express\u00e3o esse vasto peda\u00e7o de terra traz todo um caldo de cultura enriquecido \u00e0 base de ferro e fogo que provoca um impressionante efeito\u2026 <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/matecomangu.org\/site\/texto-da-sessao-baixada\/\">Ler o post inteiro<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,22],"tags":[136],"class_list":["post-1704","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","category-sessao","tag-sessao-baixada"],"views":1673,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1704","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1704"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1704\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1985,"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1704\/revisions\/1985"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1704"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1704"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1704"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}