{"id":3223,"date":"2024-05-23T03:23:10","date_gmt":"2024-05-23T03:23:10","guid":{"rendered":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/?p=3223"},"modified":"2024-05-27T19:46:09","modified_gmt":"2024-05-27T19:46:09","slug":"cinema-possivel-e-o-encontro-do-analogico-com-o-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/matecomangu.org\/site\/cinema-possivel-e-o-encontro-do-analogico-com-o-digital\/","title":{"rendered":"CINEMA POSS\u00cdVEL E O ENCONTRO DO ANAL\u00d3GICO COM O DIGITAL"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/festivaltaguatinga.com.br\/web\/fotos\/17festival\/grandes\/4279_3.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Quando eu prestei vestibular para a UFF em 2009 e vi a op\u00e7\u00e3o de curso Cinema, prontamente escolhi outra coisa. Afinal, como eu poderia trabalhar e me sustentar trabalhando com cinema? Como se trabalha com cinema? Hoje, ap\u00f3s 14 anos de viv\u00eancias e aprendizados, eu entendo que naquela \u00e9poca eu n\u00e3o sabia o que era cinema. Eu sabia o que era a ind\u00fastria imperialista do cinema. Por isso soava t\u00e3o irreal, t\u00e3o distante. Saber que a cerim\u00f4nia do Oscar \u00e9 apenas mais uma cerim\u00f4nia, &#8211; feita por uma espec\u00edfica academia de artes organizada e que, por acaso (n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o por acaso assim, eu sei), est\u00e1 situada nos EUA e \u00e9 a cerim\u00f4nia de entrega de pr\u00eamios mais famosa do cinema &#8211; mudou a minha vida para todo o sempre. Eu n\u00e3o parei de assistir um bom e velho blockbuster, nem de acompanhar os \u00faltimos grandes lan\u00e7amentos e sucessos de bilheteria. Eu s\u00f3 descobri que existem muitos tipos de cinema. Muitos mesmo. Talvez a gente nunca consiga dar conta de quantos tipos de cinema existem. \u00c9 o mundo inteiro filmando.<\/p>\n\n\n\n<p>E o cinema que eu, toda a equipe do &#8220;Bel Letras&#8221; e todo morador perif\u00e9rico fazemos \u00e9 o que eu gosto de chamar de &#8220;Cinema Poss\u00edvel&#8221;, \u201cCinema-Tentativa\u201d. Podem existir outros nomes: &#8220;de guerrilha&#8221;, &#8220;independente&#8221;, etc. Mas a gente faz cinema porque a gente precisa, porque a gente quer, porque a gente sabe que \u00e9 muito mais que a gente.<\/p>\n\n\n\n<p>As hist\u00f3rias de dificuldades de cada um refletem na nossa produ\u00e7\u00e3o audiovisual. Mas \u00e0s vezes a gente consegue um dinheiro gra\u00e7as aos editais, \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas ( no caso do Bel Letras, foi um edital horr\u00edvel. Se quiserem detalhes podemos beber uma coca para xingarmos juntos e fazer um brinde \u00e0 incompet\u00eancia). No cinema americano dificilmente vemos nas cartelas iniciais &#8220;GOVERNO DO ESTADO DA CALIF\u00d3RNIA&#8221;, ou algum \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico que ajudou a financiar aquele filme. L\u00e1 \u00e9 basicamente tudo privado. Aqui no Brasil quem consegue dinheiro grande para cinema, mesmo que seja de iniciativas p\u00fablicas, ainda \u00e9 um grupo bem seleto e privilegiado. A gente, que t\u00e1 fora desse grupo, vai tentando do jeito que d\u00e1. E quando tem dinheiro a gente filma remunerando todo mundo, garantindo alimenta\u00e7\u00e3o e transporte seguro para toda a equipe e tudo mais. \u00c9 sensacional filmar com dinheiro e sentir que aquilo est\u00e1 sendo bom para todos, que todos est\u00e3o bem alimentados e conseguir\u00e3o resolver um pouquinho dos problemas que o capitalismo nos traz.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso poderia ser resumido em: A gente faz porque t\u00e1 dentro da gente. A curiosidade ing\u00eanua por\u00e9m ativa e inquieta. Foi assim que a diretora Josy Antunes e eu, presente como diretor de fotografia e tamb\u00e9m sedento por aprender sobre o universo dos muros e letras, conduzimos as entrevistas do &#8220;Bel Letras&#8221;. N\u00e3o havia uma pauta com perguntas, simplesmente porque n\u00e3o precisava. N\u00e3o foi nenhum tipo de escolha muito consciente de conceito, dispositivo, linguagem, etc. Por mais de dez anos a Josy guardou as perguntas que fez durante as grava\u00e7\u00f5es do curta, ela sabia bem o que queria saber. Mas uma nova percep\u00e7\u00e3o surgiu no momento em que decidimos chamar Gustavo Baltar para a equipe, integrando a fun\u00e7\u00e3o de trilha sonora original e design: O que s\u00e3o os pintores de letra sen\u00e3o grandes designers da rua? Grandes publicit\u00e1rios que atrav\u00e9s dos pinc\u00e9is, das cores, dos muros escolhidos, chamam a aten\u00e7\u00e3o dos pedestres e das pessoas nos transportes? Eles integram o grupo de pessoas que pintam a cidade, junto com grafiteiros e pixadores. Est\u00e3o todos se comunicando. &#8220;As ruas sempre falam em c\u00f3digo&#8221;, como diz Marc\u00e3o Baixada na can\u00e7\u00e3o &#8220;Meu Melhor Rap do Ano&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O Baltar \u00e9 designer tamb\u00e9m, mas ele faz sua arte dentro do computador. Al\u00e9m do encontro da equipe do filme com os pintores, houve um encontro de gera\u00e7\u00f5es. E um encontro do anal\u00f3gico com o digital. Do manual com o tecnol\u00f3gico. Assim nascem as dobradinhas nos cr\u00e9ditos do filme. Baltar assina o design junto com Sapo, um dos personagens do filme, pois ele criou a logo do projeto ao escrever, com a sua tipografia autoral, o nome do filme. A faixa virou um souvenir raro, desses que, se a especula\u00e7\u00e3o do mercado das obras de arte quisesse, custaria milh\u00f5es. Uma pena que \u00e9 s\u00f3 se ela quiser. Uma linda recorda\u00e7\u00e3o cheia de afetividade e significado. A partir das letras que o Sapo desenvolveu, Baltar desdobra as palavras &#8220;BEL&#8221; e &#8220;LETRAS&#8221; no alfabeto inteiro. Agora podemos escrever qualquer palavra com a fonte que o Sapo criou. E assim nascem os cr\u00e9ditos do filme.<\/p>\n\n\n\n<p>Baltar tamb\u00e9m divide os cr\u00e9ditos da trilha sonora original com Schneider, outro personagem do filme. Em um dado momento da grava\u00e7\u00e3o de sua entrevista, ele pega seu viol\u00e3o e come\u00e7a a cantar diversas can\u00e7\u00f5es populares, de Z\u00e9 Ramalho a Legi\u00e3o Urbana. Baltar evidencia suas ra\u00edzes no Hip Hop e usa a arte de samplear, de criar um loop com alguns segundos tocados no viol\u00e3o de Schneider e depois acrescenta outros elementos, como a guitarra. O encontro do viol\u00e3o-org\u00e2nico, com a guitarra-el\u00e9trica. Toda obra de arte \u00e9 fruto de encontros. E Bel Letras \u00e9 isso. Um encontro em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Um encontro de gera\u00e7\u00f5es. Um encontro de diferentes t\u00e9cnicas art\u00edsticas. Muros que viram filme, dentro das possibilidades do cinema poss\u00edvel, a partir do encontro com o digital. Um encontro, e um reconhecimento, de artistas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211;<br><strong><em>Higor Cabral<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando eu prestei vestibular para a UFF em 2009 e vi a op\u00e7\u00e3o de curso Cinema, prontamente escolhi outra coisa. Afinal, como eu poderia trabalhar e me sustentar trabalhando com cinema? Como se trabalha com cinema? 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