Texto e filmes da sessão Contragolpe

Se a gente olhar pra capoeira como de fato ela é – uma arte, luta, ensinamento, resistência, pedagogia e diversão – podemos tirar dela várias lições que nos conduziriam a processos de saúde e libertação contra o rumo sombrio em que estamos entrando.

A começar pelo contragolpe, que segundo grandes mestres da capoeiragem, é uma das mais importantes lições dessa arte tão brasileira. Um movimento de esquiva, uma queda-de-rim, um aú, e é possível resistir e virar um jogo que parece perdido. Os contragolpes da capoeira são armas pedagógicas pra esse momento do país.

Contragolpe é a parada.

Contragolpe também é ser feliz; é rir, mas rir com dignidade, com ciência. Rir das sombras nas paredes da caverna, rir do nosso nariz vermelho, com o cartão vermelho na mão, puxando o banquinho de quem usurpa o espírito esportivo, de quem faz o jogo com as próprias regras, de quem não tem respeito pelos demais. Contragolpe é rebeldia.

Fomos golpeados por quem não tem malemolência alguma, pelos verticalizados, burocratas, engravatados, bombados. Inverteram os ponteiros da bússola e a botaram ao lado do copo d’água em cima da televisão. Quebram contratos, acentuam os contrastes, perseguem contrários, tudo pra que sigamos contritos, apenas cidadãos conformados, pagadores de impostos, ordeiros e submissos. Mas, o axé é forte e não vai ser fácil pra eles não.
O contragolpe é o grande contraponto à fera conservadora que anda rosnando perigosamente à solta. A rebordosa tá sinistra, mas sobreviveremos, como sobrevivemos nesses séculos todos de coronelismo, patrimonialismos, racismos, machismos, e uma porrada de ismos que nos fodem diariamente.

Na contracorrente, seguimos, pois. E se há uma certeza no meio disso tudo é que não vamos parar. E o Cinema, a Arte, o Amor, são nossas bordunas, nossos tacapes, estilingues, petelecos, pedras de uma intifada insistente e poderosa.

Como bem disse dentro de um filme-ritual um pajé-mestre-de-capoeira de nome Glauber: “Mais fortes são os poderes do povo!”
Machado!
Iê!

Abraços
Cineclube Mate Com Angu
14 anos na ginga

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FILMES DA SESSÃO
História de uma pena
Direção: Leonardo MouraMateus
Um professor espera a chegada dos alunos atrasados.
Longe dali, um jovem casal acorda entre as árvores. São dez e quinze da manhã. “Eu sei com que fúria bate o teu coração.”
CE – 30min – 2015

Siyanda
Direção: Hugo Lima
A nova diáspora negra. Nós negros, somos irmão por que a Africa é mãe. No solo sagrado, da cidade do Rio de Janeiro onde, em outros tempos, foi regados com sangue negro, nossos Orixás não ignoram o sofrimento de uma negra/negro, vindo da africa ou de qualquer lugar do mundo. Filme produzido e premiado no festival 72 Horas. Melhor roteiro e 3º Melhor curta.
Roteiro: Hugo Lima, Nathali de Deus, Lumena Aleluia
Elenco: Mariama Bah, Lumena Aleluia, Carolina Netto, Alessandro Conceição, Cristiano Mattos, Jonh Conceição e Luciane Dom Produção: Hugo Lima, Nathali de Deus e Nathália Rodrigues
RJ – 6min – 2016

Outubro acabou
Direção: Karen Ackerman e Miguel Seabra Lopes
Tomtom percebe, ainda bem novo, seu interesse pelo cinema. O menino decide, ao lado dos pais, embarcar em uma aventura mágica e produzir seu primeiro filme, andando pela casa com uma câmera na mão registrando sua inocente e jovem visão do mundo.
RJ – 22min – 201

FavelAldeia
do Canal Plá
Embarque no intercâmbio audiovisual “FavelAldeia – Nossas Lutas São As Mesmas” pelo território Tupinambá de Olivença (Bahia) na companhia de músicos, grafiteiros, fotógrafos e produtores audiovisuais de coletivos como Barraco #55, Coletivo Papo Reto e Fala Manguinhos, todos moradores de favelas da Zona Norte carioca.
RJ – 17min – 2016


Sobre matecomangu

Cineclubismo na veia, desde 2002 agitando o imaginário de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, mundo. Produção Cultural autônoma, guerrilha estética urbana, TAZ.
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